Pensos Higiénicos Reutilizáveis de Bamboo Charcoal

Nov 14 , 2019

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Eva Aleixo

Pensos Higiénicos Reutilizáveis de Bamboo Charcoal

A menstruação é aquele período chato durante o mês, que quando vem é odiada, porém torna-se desejada quando não chega, exceto para quem está a desejar um bebé. Algumas mulheres não toleram os tampões e não se adaptam ao copo menstrual o que torna a grande maioria fiel aos pensos higiénicos o que, à primeira vista, pode parecer desconfortável e pouco prático, mas que viram indispensáveis na vida de qualquer mulher em idade fértil, independetemente da fase.

 

 

Muitas priorizam a qualidade e acreditam que o conforto, a segurança e sensação de estar secas e limpas são fundamentais. O material precisa ser o mais absorvente possível e não pode permitir fugas, inclusive de odores que possam comprometer o bem-estar.

O facto de existirem em diferentes tamanhos permitem que cada mulher compre o mais adequado ao seu fluxo pois sentir-se confortável e segura é imprescindível nesses dias.

Os Pensos Menstruais Reutilizáveis (ver preço) são feitos artesanalmente com um tecido de bambu muito absorvente adicionado a outros materiais que podem lavados na máquina.

Traduzido do inglês, o carvão vegetal de bambu vem de pedaços de bambu e é queimado em fornos a temperaturas que variam de 800 a 1200°C. Beneficia a proteção ambiental ao reduzir os resíduos poluentes. É um material ambientalmente funcional que apresenta excelentes propriedades de absorção.

  

Porque utilizar pensos reutilizáveis ou pensos de pano?

  • São mais económicos a longo prazo.
  • São mais ecológicos.
  • São mais confortáveis, respiráveis e hipoalergénicos.
  • Ajudam a reduzir a duração, a abundância, os odores e os sintomas menstruais que estão associados aos plásticos e aditivos químicos usados nos descartáveis, assim como irritações dermatológicas por contacto e infecções bacterianas ou fúngicas.
  • Não possuem as substâncias químicas alvejantes presentes nos descartáveis.
  • Reduzem a quantidade de lixo produzido diariamente.
  • São muito mais bonitos e alegres.

Por quanto tempo devo usar?

Assim como os pensos higiénicos descartáveis, depende do fluxo diário de cada mulher e do clima ambiente, mas sem ultrapassar 8 horas de uso contínuo. À medida que ocorre o uso do penso reutilizável, a mulher aprende mais sobre seu próprio fluxo e a necessidade de uso e troca diária, o que leva a tornar essa experiência cada vez mais agradável e, para muitas, insubstituíveis.

Afinal, durante séculos as mulheres usaram os panos como absorventes e vamos lembrar que sequer contavam com a tecnologia dos tecidos inteligentes e biodegradáveis da atualidade. Então, por que não tentar?

Como ocorre a absorção?

Os pensos reutilizáveis (ver preço) são compostos por camadas: o núcleo absorvente, a parte exterior repelente/impermeável e a parte interior.

Todos os pensos reutilizáveis necessitam de um núcleo absorvente, para absorver o fluxo menstrual. No nosso produto, é utilizado o Fleece/veludo de bambu (tecido natural absorvente que possui essa nomenclatura devido ao seu avesso ser escovado, o que lhe proporciona um toque macio com sensação aveludada).

Como deve ser a lavagem?

Como qualquer artigo têxtil novo, é indicado que seja lavado antes do primeiro uso devido a manipulação ocorrida para sua produção, embalagem, armazenamento, transporte e venda. Vamos lembrar que por tratar-se de um produto de confecção totalmente artesanal, é isento de fases de automação, ou seja, os pensos reutilizáveis são tocados por mãos em todo seu processo produtivo.

Além de que essa lavagem inicial elimina resíduos dos óleos naturais das fibras e prepara os tecidos para uma maior absorção. Aproximadamente após 7 lavagens é iniciado o ápice de absorção. Os pensos podem ser lavados à mão ou na máquina desde que se evite amaciantes, alvejantes clorados, e emolientes.

É sempre benéfico realizar uma pré-lavagem, ou seja, colocar os pensos reutilizáveis de molho em água com um pouco de tira-nódoas à base de oxigénio ativo durante algumas horas antes da lavagem principal para ajudar na eliminação de manchas.

Lavar o próprio penso de pano é um ato de cuidado que muda a percepção da mulher sobre sua propria menstruação e a ajuda a reconciliar-se com a mesma, já que não mais será vista como um 'lixo' que precisa ser descartado.

 

Um ato de amor ao meio ambiente e ao futuro do nosso planeta

Uma mulher menstrúa aproximadamente 40 anos de sua vida e pode gastar em média 12.000 pensos higiénicos e tampões descartáveis durante seus anos férteis. Os pensos reutilizáveis de pano podem durar até 3 anos, assim como as cuecas, já pensou na economia de lixo desprezado?

Os pensos higiénicos e os tampões com seus invólucros, assim como suas tiras adesivas e aplicadores levam mais de 300 anos para se degradarem no ambiente. Imagine o grande impacto ambiental que isso gera para o planeta. Estamos falando de um problema real de poluição causado pela higiene feminina.

O algodão e o rayon com os quais são feitos tampões e pensos higénicos são potentes campos de proliferação fúngica e bacteriana. Os pensos higiénicos e tampões usam produtos sintéticos e químicos, agentes aglutinantes, plásticos, surfactantes, resinas e fragrâncias, além de cloro e alvejante no clareamento. Além do cloro e outros alvejantes usados no processo de fabricação da maioria, são geradas também dioxinas, que poluem o meio ambiente e são armazenadas em nossas células adiposas.

Segundo dados da ONU, somos aproximadamente 3.650 milhões de mulheres em comparação com 3.700 milhões de homens com quem compartilhamos o mundo. Se menstruamos uma média de 40 anos ao longo de nossa vida fértil e pararmos para fazer contas, veremos que os números são assustadores.

 

Informações Técnicas Têxteis: como são feitas as fibras obtidas a partir da cana de plantas?

A procura de proporcionar a substituição de materiais sintéticos por materiais naturais biodegradáveis que tenham desempenhos semelhantes mas tenham menor impacto ambiental é o que levou o engenheiro mecânico a realizar a seguinte pesquisa:

É possível utilizar fibras provenientes da cana de uma planta, mais propriamente da estrutura do bambu. Apesar da altura atingida por este tipo de planta, por norma, estas fibras são utilizadas como fibras curtas nos compósitos (material constituído pela mistura de duas ou mais substâncias).

A fibra de bambu é do género Bambusa e é uma planta duradoura, que cresce até 40 metros de altura e desenvolve-se em climas húmidos nos países asiáticos e na América do Sul. A planta de bambu tende a atingir o seu tamanho maduro entre seis a oito meses, com alguma variação entre as espécies. O bambu apresenta inúmeras espécies, existindo cerca de mil espécies distintas identificadas em todo o mundo. O bambu é muito utilizado em mobiliário na indústria têxtil e do papel, apresentando algumas características propicias no desenvolvimento de compósitos.

Composição química e estrutural de fibras naturais vegetais

As fibras vegetais elementares são constituídas por várias paredes celulares que cercam um lúmen central (o que proporciona uma característica absorvente). As fibras vegetais apresentam varias paredes secundárias espessas, que se desenvolvem sobre as paredes primárias depois destas terem completado o seu processo de crescimento em extensão. Estas paredes são constituídas por fibras de celulose, ou seja, microfibrilas de celulose rígidas e unidas por uma matriz de lignina amorfa. A hemicelulose encontrada nas fibras naturais serve como um compatibilizador entre a celulose e a lignina. A parede celular de uma fibra não é considerada uma membrana homogênea, ou seja, devido à sua constituição complexa é considerado um material compósito. Para além dos três principais constituintes mencionados, algumas fibras vegetais podem também ser compostas por pectina, ceras e gorduras.

O principal composto da parede celular é a celulose, sendo esta a principal responsável pelas propriedades mecânicas das fibras. A celulose é uma macromolécula linear constituída por vários monómeros de glicose (C6H11O5) muito resistente a soluções alcalinas, pouco resistente em meios ácidos e é moderadamente resistente a agentes oxidantes. A hemicelulose é muito hidrófila, solúvel em soluções alcalinas e pouco resistente a soluções ácidas. A lignina é resistente a ácidos e pouco resistente a soluções alcalinas, sendo a responsável pela rigidez das plantas. Para além disso a lignina apresenta uma estrutura amorfa (estado dos corpos cujos átomos ou moléculas se dispõem irregularmente) e hidrofóbica (produto impermeabilizantes que repelem a água).

A parede celular secundária é constituída basicamente por celulose, é mais espessa e cristalina, menos hidratada e mais dura que a primária. Normalmente é constituída em três camadas (S1, S2 e S3). A camada S2 tem maior espessura e tem maior teor de celulose sendo a mais importante e a que determina as propriedades das fibras nomeadamente a deformação à rotura, o módulo de elasticidade e a resistência à tração.

A composição química da fibra de bambu é celulose, hemicelulose e lignina. As propriedades mecânicas das fibras estão relacionadas com as propriedades químicas apresentadas. De uma forma geral pode-se dizer que a resistência à tração e o módulo de elasticidade das fibras aumentam com o aumento da quantidade de celulose.

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Coordenação do Texto: Licenciada em Engenharia Têxtil Daniela de Medeiros.

Autoria Técnica: Mestre em Engenharia Mecânica Alexandre Manuel Mendonça Santana Lobo.

Fonte Principal: Instituto Superior de Engenharia de Lisboa – ISEL.


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